Correndo muitos riscos, alguns ainda não perfeitamente identificados, não posso deixar passar em branco mais uma série de episódios que ocorreram, imaginem, de ontem para hoje.
Se toda a situação que se vive é insustentável – ministros a contradizerem-se, braço de ferro entre o primeiro-ministro e colaboradores do governo, conferências de imprensa que mais parecem uma comunicação ao bom estilo populista-demagogo, etc. – o governo decidiu brindar o país com mais umas prendinhas.
“Embutido” do espírito natalício, ficamos a saber que o governo da (ainda) república portuguesa autorizou em
segredo (?!) a co-incineração numa cimenteira,
faltou à palavra, com o Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, devido à utilização do fundo de pensões da caixa para abater o défice e, utilizou meios públicos, da Câmara Municipal de Lisboa, para um jantar comício do PSD.
Em relação a tudo isto só vale a pena perguntar: - afinal o governo é contra a co-incineração, ou só é por motivos meramente eleitoralistas ou propagandísticos?; - A obsessão pelo défice vai ao ponto de faltar com a palavra dada?; - Aonde para a moralização da vida pública tão apregoada pelo Dr. Portas e companhia?
As respostas são simples.
Sim, o governo só é contra a co-incineração por motivos eleitoralistas, nunca tendo sustentado, em bom português, a recusa por uma técnica cientificamente comprovada como sendo uma das muitas soluções para o tratamento final dos resíduos industriais perigosos. Tanto se é a favor da co-incineração quer estejamos a aqueimar rsu, rip ou rib.
Sim, a obsessão pelo défice vai ao ponto de faltar com os compromissos assumidos, com atitudes eticamente reprováveis típicas de quem pura e simplesmente anda quase em estado de “esquizofrenia”. Se dúvidas existissem, basta somente analisar qual foi a reacção do Presidente da CGD…demitiu-se.
Quanto à moralização da vida pública…essa já vai longe, muito longe. Cedo se percebeu que isso da moral só interessa mesmo em campanha e nela só acredita “meia dúzia de gatos-pingados”, que feitos inocentes ainda acreditam no bem público. Portanto, não é de admirar que o Dr. Portas, mais uma vez, tenha dado um tiro no pé e feito de conta que não é com ele.
Bom, fiquemos por aqui. Em dia de Natal, dia de felicidade, de esperança, de amor e paz, queremos ouvir falar de tudo menos em coisas tristes. Infelizmente lá fora (terreiro do paço) existe um governo que só dá motivos para chorar (ou rir de tanto chorar).
"Antes morrer livres que em paz sujeitos"